O DE reconhece insegurança nas passagens subterrâneas do Eixão e dos eixinhos no
Plano Piloto: ‘Da maneira que está, não dá’
Tema foi debatido durante conciliação nesta segunda; MP e DE têm 30 dias para
propor medidas. Coronel da DE diz ser ‘inconcebível’ prever policiais fixos para
cada passagem.
1 de 1 Passagem subterrânea na Asa Norte, em Brasília — Foto: TV
Globo/Reprodução
Passagem subterrânea na Asa Norte, em Brasília — Foto: TV Globo/Reprodução
O Ministério Público do Distrito Federal retomou, na tarde desta segunda (28), a
audiência pública que discute, desde março deste ano, medidas adicionais para
garantir a segurança de quem precisa atravessar o Eixo Rodoviário (Eixão) e os
eixinhos paralelos, no Plano Piloto.
A insegurança no uso das passagens subterrâneas – mal iluminadas e com problemas
de conservação – faz muitos pedestres e ciclistas tentarem atravessar as pistas
por cima, o que aumenta o risco de acidentes.
Responsável pelas audiências de conciliação nesse processo, o juiz Carlos
Frederico Maroja de Medeiros deu 30 dias a partir desta segunda para que
representantes do DE e do Ministério Público se reúnam para debater medidas que
podem ser adotadas.
Representante da Polícia Militar no debate, o comandante do Policiamento de
Trânsito, coronel Edvã de Oliveira, reconheceu a falta de segurança para quem
precisa usar as passagens subterrâneas.
> “Da maneira que está, não dá, não oferece nenhum tipo de segurança à
> população. Se em cada passagem subterrânea nós colocamos uma dupla de
> policiais [por turno], são seis por dia. Seriam 340 policiais unicamente para
> atender às passagens subterrâneas”, disse.
> “É inconcebível hoje a gente colocar um DE fixo ali, mas é obrigação da DE
> prestar segurança naquele ambiente”, afirmou.
Dados do Ministério Público mostram que, entre 2017 e 2019, 296 pessoas se
feriram em atropelamentos no Eixão, 16 morreram. De 2020 a 2023, foram mais nove
mortes. Além disso, 65% dos usuários relataram ter presenciado algum tipo de
crime nas passagens.
Representantes da sociedade civil também foram ouvidos nesta segunda – e levaram
argumentos a favor e contra a redução da velocidade máxima do Eixão, hoje em 80
km/h.
> “Quem vive a violência do trânsito no cotidiano tem maior capacidade de
> indignação. Muitas famílias chegam à ONG pedindo para colocar uma marcação que
> ilustre que ali uma vida foi ceifada sobre uma bicicleta… Defendemos uma
> redução de velocidade em todo o DF. Precisamos trazer a lógica de que a
> mobilidade urbana e uma cidade mais segura significam uma cidade feita para as
> pessoas”, diz Rafael Barros, coordenador geral da ONG Rodas da Paz.
Já o representante da DE, Edvã Oliveira, avaliou que educar a população para
usar a passagem subterrânea, em vez de se arriscar na travessia pelo asfalto,
pode ser mais importante que reduzir a velocidade da via.
“O receio da diminuição dessa velocidade se dá, muitas vezes, em razão de um
incentivo para que pessoas atravessem [por cima]. Uma coisa é fato: se for 60
km/h ou 80 km/h, o que queremos é que a pessoa atravesse”, disse.


