A Polícia Federal apontou uma ligação entre um contador investigado por desvio de emendas parlamentares e um senador do DF. Izalci Lucas (PL-DF) destinou uma emenda para uma associação suspeita de desvio, onde o dinheiro deveria financiar um evento de jogos digitais. No entanto, o político não foi alvo da operação e nega qualquer envolvimento em irregularidades.
A Operação da PF tem como foco investigar desvios de emendas em eventos de jogos digitais. Segundo informações transmitidas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, há indícios de que um dos investigados na Operação Korban mantém uma relação próxima com o senador Izalci Lucas (PL-DF).
Durante a manhã, a Polícia Federal cumpriu 16 mandados de busca e apreensão em Brasília, Acre, Paraná e Goiás. A principal entidade alvo da operação foi a Associação Moriá, que recebeu cerca de R$ 15 milhões em emendas de senadores para a realização de jogos estudantis de esportes digitais em 2023 e 2024. Suspeita-se que R$ 13,2 milhões desses recursos tenham sido desviados.
Além das emendas dos senadores, a Associação Moriá também recebeu emendas destinadas por deputados no mesmo período, mas esse valor não foi alvo da operação. Segundo a Controladoria-Geral da União (CGU), aproximadamente 90% dos recursos recebidos pela Moriá eram repassados para empresas terceirizadas, que são alvo das suspeitas de irregularidades.
A relação entre Izalci e o contador Adriano Marrocos é descrita como de “muita proximidade” pela Polícia Federal. Marrocos é apontado como lobista da Associação Moriá e responsável pela captação dos recursos federais. A investigação revela que Izalci e Marrocos foram filiados ao PSDB no mesmo período e participaram juntos de várias audiências e eventos oficiais.
A principal suspeita de irregularidades está na contratação de empresas terceirizadas pela Associação Moriá. A CGU aponta problemas como o direcionamento fraudulento das subcontratações, o acordo espúrio entre as empresas subcontratadas e a contratação de empresas de fachada. Além dos mandados de busca e apreensão, o ministro do STF Flávio Dino determinou o sequestro de bens e o bloqueio de contas bancárias das empresas investigadas.
Diversos citados no caso se manifestaram. O senador Izalci Lucas cancelou o repasse dos recursos à Associação Moriá e reforçou seu compromisso com a transparência do dinheiro público. A Associação Moriá declarou estar à disposição para prestar esclarecimentos e Adriano Marrocos e sua empresa de contabilidade não retornaram as ligações até o momento.


