Família de jacurutus é flagrada em Guararema, região metropolitana de SP
A coruja é a maior espécie de rapinante noturna do Brasil. Jorge Souza, químico de formação e pós-graduado na área de tecnologia em gestão ambiental, começou a se interessar por observar aves em 2010. Desde então, não parou de registrar a natureza. Nascido e criado na zona rural, ele foi o único dos sete irmãos a nascer de parteira, fato que o marcou profundamente.
“As paisagens do Vale do Paraíba, no interior paulista, deixaram em mim uma forte marca. O cheiro de mato e as cantorias das aves sempre foram uma parte importante da minha vida”, conta Jorge. Ao longo dos anos, teve a oportunidade de explorar diferentes biomas do Brasil, como Amazônia, Mata Atlântica, Caatinga, Cerrado e Pantanal.
O registro de cada espécie de ave é único e especial para Jorge, mas algumas o emocionaram mais do que outras. Ele destaca o soldadinho-do-araripe, a arara-azul-de-lear e o galo-da-serra como algumas das aves que mais o emocionaram ao longo de sua jornada. O fotógrafo também teve o prazer de capturar imagens da harpia, uma das maiores aves de rapina do mundo.
Recentemente, em Guararema (SP), Jorge flagrou uma família de jacurutus em uma área de Mata Atlântica cortada por um córrego e cercada por colinas. As fotografias foram feitas na estrada municipal Delmiro Pereira de Souza, que leva o nome de seu pai, uma homenagem emocionante ao homem que o introduziu ao amor pela natureza.
A jacurutu, também conhecida como corujão-orelhudo, mocho-orelhudo ou joão-curutu, é a maior espécie rapinante noturna do Brasil, podendo atingir até 60 cm de altura e 2,5 quilos. As fêmeas são maiores que os machos. A observação do casal de corujas construindo um ninho e cuidando dos filhotes trouxe grande emoção ao fotógrafo, que pôde registrar o crescimento da família de jacurutus ao longo dos meses.
O habitat favorável dessas aves facilita a caça de suas presas, como coelhos, ratos e gambás. Além disso, as jacurutus são capazes de capturar morcegos em pleno voo, um feito impressionante que demonstra sua agilidade e destreza como predadoras. Para Jorge, a observação e registro desses momentos na natureza são motivo de celebração e aprendizado.
Como a coruja é tradicionalmente associada à sabedoria, Jorge enxerga nas aves uma lição para os humanos. Enquanto avançamos em tecnologia e conhecimento, estamos cada vez mais distantes da sabedoria e equilíbrio da natureza, representados pelas corujas. Através da beleza e da transformação presente na observação das aves, somos lembrados da importância de respeitar e aprender com o mundo natural.


