Documentário “Marinho – A História do Meu Pai”, produzido pelo filho do ídolo do Bangu

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Filho de Marinho produz documentário sobre o ídolo do Bangu

Sentado no cimento de Moça Bonita, Steve Wonder se prepara para uma segunda etapa de entrevistas até receber um carimbo dos céus – um pombo fez suas necessidades na parte de trás da sua camisa preta.

> – Não acredito! Isso é meu pai me sacaneando (risos).

O pai de Steve é Mario José dos Reis Emiliano, o Marinho, craque e ídolo histórico do Bangu vice-campeão brasileiro em 1985. Há 40 anos, num 31 de julho, Marinho encantava o Brasil mesmo sem levantar o caneco. Marcou 16 gols em 28 jogos e ganhou a Bola de Ouro – tradicional prêmio da revista “Placar” para o melhor jogador do Brasil.

O papel de entrevistado é incomum para Steve, que faz entrevistas para o documentário “Marinho – A história do meu pai” há três anos, com a ajuda de apenas dois amigos – “na cara e na coragem”. Veja alguns trechos inéditos do documentário no vídeo que esta reportagem.

– Com cada pessoa que eu conversei, que deu depoimento, eu me senti abraçado. Até hoje eu não vi ninguém falar mal uma vírgula dele – lembra.

O nome foi ideia da mãe Laiza Minelli –quase homônima da atriz e cantora americana – que ouvia “Isn’t she lovely” (Ela não é adorável?), de Steve Wonder, na hora do parto. As outras opções eram Michael Jackson e Michael Jordan.

É assim, com bom humor, que Steve quer reapresentar Marinho para quem viu e apresentar quem não viu o pai jogar. O ponta que saiu da antiga categoria dente de leite do Atlético-MG, catou latinha e engraxou sapato nas ruas de Belo Horizonte para levar dinheiro para casa e depois foi aplaudido no Maracanã. No antigo Maior do Mundo, sentiu o gostinho da consagração aos pés.

– Eu falei pro Steve que se o pênalti do Ado tivesse entrado ou o gol do Marinho não tivesse sido invalidado, hoje vocês estariam fazendo uma entrevista aqui com o Marinho. Porque eu acho que uma das grandes frustrações dele foi aquele jogo contra o Coritiba – interpreta Alessandro Campos da Silva, diretor do documentário.

Ele se refere ao gol anulado que desempataria a final. Com o empate de 1 a 1, o Coxa levou a melhor na decisão por pênaltis de 1985 e deu a volta olímpica num Maracanã com 100 mil pessoas.

Dois anos antes, Marinho era contratado a peso de ouro por Castor de Andrade numa das saborosas histórias da produção de Steve e dos amigos Alessandro, que é ator e dirige um filme pela primeira vez, e Eduardo Madruga. Tânia, primeira mulher e mãe de três filhos de Marinho, conta que Castor colocou dinheiro e um revólver na mesa na reunião com os dirigentes do Galo. Tempos depois, para tentar controlar Marinho, mandava dinheiro para a esposa trocar móveis na residência e distrair o craque na mansão em Bangu.

– Eu acabei me apaixonando pela história do Marinho – conta Eduardo Madruga.

Editor do documentário, Edu tem 29 anos. Ele nasceu 11 anos depois do auge do jogador em 1985. Em 1986, Marinho fez dois jogos pela Seleção, convocado por Telê Santana, e fez um gol com a camisa amarela (na vitória por 3 a 0 sobre a Finlândia).

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