Juíza dá ‘bronca’ ao negar revogação de ordem de prisão de ex-servidora da Unicamp acusada de desvio de R$ 5,3 milhões
Ligiane Marinho de Ávila deixou o Brasil em fevereiro de 2024, um mês após irregularidades serem descobertas. Ela é considerada foragida e é procurada pela Interpol desde maio deste ano.
Ligiane Marinho de Ávila, ex-servidora da Funcamp, trabalha como faxineira na Europa — Foto: Ligiane Marinho de Ávila/Arquivo pessoal
A Justiça negou o pedido para revogar a prisão e designou a audiência da ex-servidora investigada pelo desvio de ao menos R$ 5,3 milhões em recursos públicos de projetos científicos do Instituto de Biologia (IB), na Unicamp. Ela é considerada foragida e é procurada pela Interpol desde maio deste ano.
Ligiane Marinho de Ávila, de 36 anos, deixou o Brasil em 19 de fevereiro de 2024, um mês após os desvios serem descobertos. Em setembro daquele ano, o Ministério Público pediu a prisão preventiva e a quebra do sigilo bancário dela.
A audiência de instrução, debates e julgamento será realizada pela internet, nos dias 26 e 27 de janeiro. A decisão foi proferida nesta quinta-feira (31), pela 5ª Vara Criminal de Campinas (SP).
No documento, a juíza Lissandra Reis Ceccon nega o pedido da defesa para revogar a prisão de Ligiane por entender que, ao sair do país, a ex-servidora demonstra a intenção de evitar ser julgada e punida.
NOTAS FISCAIS FALSAS
De acordo com a investigação conduzida pela Promotoria Criminal de Campinas, Ligiane abriu uma empresa em 2018 e usou o próprio CNPJ para emitir dezenas de notas fiscais falsas, apresentadas como prestação de contas à Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).
As notas registravam serviços que, segundo o MP, jamais foram prestados. Em muitos casos, indicavam compra de materiais e manutenção de equipamentos de laboratório. Os valores variavam de R$ 6 mil a R$ 12 mil.
A investigação mostra que, entre 2018 e 2023, a conta pessoal de Ligiane movimentou R$ 6.657.776,15. Os depósitos foram feitos diretamente por contas vinculadas aos projetos financiados pela Fapesp.
PROCURADA PELA INTERPOL
Procurada pela Interpol desde o início de maio, a ex-servidora comprou R$ 99.999,79 em moeda estrangeira com a verba destinada a pesquisas, segundo o Ministério Público (MP).
As compras foram feitas em uma conta aberta em junho de 2023 e encerrada 10 meses depois, conforme apontam os extratos bancários e documentos, incluindo notas fiscais.
A ex-servidora tinha a senha e o cartão dos pesquisadores do IB para realizar as transações financeiras, mas, neste momento, a promotoria não vê indícios para denunciar os professores.


