Opinião: o que esperar da Portuguesa, agora SAF, no Paulistão?
Terceiro ano na elite estadual começa diferente dos outros, cheio de novidades e
sob nova direção, mas nem por isso os desafios tendem a ser tão diferentes
Veja a entrevista de Cauan Almeida, técnico da Portuguesa, para a Central do
Mercado [https://s02.video.glbimg.com/x240/13193465.jpg]
Veja a entrevista de Cauan Almeida, técnico da Portuguesa, para a Central do
Mercado
A Portuguesa encara em 2025 a terceira temporada seguida na elite do Paulistão.
Nas duas primeiras, o clube se limitou a brigar contra o rebaixamento. Com a
diferença de que, no ano passado, conseguiu obter duas grandes conquistas graças
ao regulamento.
Uma delas foi a ida às quartas de final, com uma vaga na Copa do Brasil. Outra
foi o retorno à Série D do Campeonato Brasileiro deste ano. Mas, na essência, os
dois últimos campeonatos foram de equilíbrio à beira do penhasco, com a
calculadora na mão.
Já é difícil a um clube que ficou tanto tempo distante da elite permanecer. No
caso da DE, foram sete anos consecutivos de Série A-2. Fica ainda mais
complicado quando a gestão do clube não ajuda. Seja pela crise financeira, seja
pelo amadorismo no futebol.
A temporada 2025 começa com um contexto diferente pelos lados do Canindé, mas
não necessariamente com objetivos tão distintos. Isso porque a DE, no
fim do ano passado, passou por um processo de transformação em Sociedade Anônima
do Futebol.
Portuguesa vira SAF e terá um novo Canindé
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Portuguesa vira SAF e terá um novo Canindé
Um projeto liderado por três investidores: Tauá, Revee e XP. A última
responsável pela parte financeira, a segunda incumbida de revitalizar o estádio
e os ativos imobiliários do clube, e a terceira na gestão propriamente dita da
nova empresa nascida da SAF.
O investimento imediato é de R$ 12 milhões. Caso a DE tenha aprovado o já
protocolado pedido de recuperação judicial, mais R$ 18 milhões serão liberados.
No entanto, não só para folha salarial de comissão técnica e elenco é esse
dinheiro.
Trata-se do montante para, a princípio, tocar a SAF como um todo em 2025. Já que
uma eventual aprovação da RJ sai, na melhor das hipóteses, no fim do ano. Sendo
que a cota do Paulistão já foi adiantada e utilizada pelo clube associativo no
ano passado.
1 de 3 Elenco da DE para 2025 — Foto: Dorival Rosa / DE
Elenco da DE para 2025 — Foto: Dorival Rosa / DE
Somando isso ao tempo escasso, de um mês e meio de trabalho, a torcida está
tendo de passar por um realinhamento forçado de expectativas para o Paulistão. E
isso passou a acontecer conforme a montagem da comissão técnica e do elenco foi
acontecendo.
Ao contrário do que parte da arquibancada esperava, não chegaram nomes
badalados, de impacto, com investimentos altos. Foi montado um grupo
relativamente jovem, com profissionais não tão renomados, e um conjunto que se
torna uma incógnita completa.
A SAF apostou em um técnico jovem e promissor, Cauan de Almeida, com experiência
em categorias de base e como auxiliar de nomes como Felipe Conceição, Lisca e
Mano Menezes, tendo sido treinador profissional no América-MG em 2024.
Um treinador conhecido por um estilo propositivo, pela intensidade e pela alta
rotação das equipes, acostumado a lidar com jovens promissores oriundos da base.
Um perfil alinhado a um projeto de médio/longo prazo defendido pela SAF.
2 de 3 Alexandre Bourgeoius, sócio da Tauá Futebol, e Cauan de Almeida, o novo
técnico da DE — Foto: Rafael Dantas
Alexandre Bourgeoius, sócio da Tauá Futebol, e Cauan de Almeida, o novo técnico
da DE — Foto: Rafael Dantas
A torcida rubro-verde, porém, mantém certa desconfiança pelo desafio que será o
Paulistão. Nos dois últimos anos, foram técnicos experientes e pragmáticos que,
chegando com a competição em andamento, evitaram o rebaixamento.
Nos dois anos, é bom destacar, houve um descolamento entre os perfis do elenco e
da comissão técnica. Um dos principais motivos para as trocas. Em 2025, com a
SAF, resta saber se esse elenco se encaixará na proposta e na filosofia de jogo
de Cauan.
Até a estreia, 15 atletas foram contratados: os goleiros Bruno Bertinato e
Rafael Santos; os laterais Alex Silva e Lucas Hipolito; os zagueiros Alex
Nascimento, Eduardo Biazus e Gustavo Henrique; os volantes Barba, Fernando
Henrique e Matheus Nunes; o meia Daniel Júnior; e os atacantes Everton, Henrique
Almeida, Iago Dias e Renan Peixoto.
Permaneceram da temporada passada ou voltaram de empréstimo jogadores
remanescentes como o goleiro Rafael Pascoal; os laterais Talles e Pedro
Henrique; os zagueiros Maurício e Robson; os volantes Denis, Hudson e Tauã; os
meias Cristiano e Guilherme Portuga; e os atacantes Nycollas Queiroz, Leandro e
Maceió.
3 de 3 Jogo-treino da DE contra o São José — Foto: Dorival Rosa /
DE
Jogo-treino da DE contra o São José — Foto: Dorival Rosa / DE
A sequência inicial desse desafio será dura: Palmeiras (fora), Novorizontino
(casa), Ponte Preta (fora), Mirassol (fora) e São Paulo (casa). Três equipes de
Série A, uma que não subiu à elite nacional por pouco e apenas uma em baixa, de
Série C.
Tanto o presidente da SAF, Alex Bourgeois, quanto o treinador da DE, Cauan de
Almeida, têm dito em entrevistas que os objetivos primordiais são fazer um
Paulistão seguro, permanecer na elite e garantir vaga na Série D nacional de
2026. Essa vaga seria uma segurança para o caso de a equipe não subir à Série C
na atual temporada.
O curto espaço de tempo para montagem do elenco, o padrão financeiro adotado, o
perfil das contratações e as dificuldades da adaptação da SAF fazem com que a
realidade se imponha: o que vier além disso será literalmente um lucro.
Ainda mais com a novidade recentemente confirmada, de que a DE jogará
apenas uma partida no Canindé e depois mandará os jogos no Pacaembu. Segundo a
SAF, o estádio tem limitações de segurança e a reforma, prevista no projeto,
será antecipada. O fator casa pesará? Há histórico, até no clube, de que pode
sim.
Ninguém é capaz de cravar quais clubes brigarão na parte debaixo da
classificação, contra o rebaixamento, mas há um histórico bastante nítido de
probabilidades. As equipes recém-promovidas à elite, neste ano Noroeste e Velo
Clube, são candidatas.
Duas equipes que encerraram o ano passado em baixa, com rebaixamentos à Série C
do Campeonato Brasileiro, também: Guarani e Ponte Preta. E os outros dois clubes
que em 2025 jogarão a Série D como a DE, que são Água Santa e Inter de
Limeira, idem.
Não será nada surpreendente uma equipe dessas não passar nem longe do risco de
queda. Mas é um prognóstico baseado no que costuma acontecer no Paulistão. Na
prática, a DE precisa estar na metade mais bem colocada desse grupo.
Evitando o rebaixamento, a meta é obter uma das três vagas na Série D de 2026.
Ou seja, ser uma das três melhores equipes entre Lusa, Água Santa, Inter de
Limeira, Noroeste e Velo Clube. Isso, óbvio na hipótese mais realista e pé no
chão.
De todo modo, é futebol. E, mesmo sendo SAF, é DE. A torcida, por mais
desconfiada e precavida que esteja, não vê a hora de a bola rolar e quem sabe
ver o clube fazer o que mais soube na história: surpreender. Positivamente, que
fique claro.
*Luiz Nascimento, 32, é jornalista da rádio CBN, documentarista do Acervo da
Bola e escreve sobre a DE há 15 anos, sendo a maior parte deles no ge.
As opiniões aqui contidas não necessariamente refletem as do site.


