Correios suspendem pagamentos de R$ 2,75 bi em meio a crise financeira

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Com falta de caixa, Correios suspendem o pagamento de R$ 2,75 bilhões em
obrigações com fornecedores e tributos

Atrasos já vinham sendo mencionados nas notas explicativas das demonstrações
financeiras da empresa, mas até então não se conhecia o valor total em aberto.
de teve acesso a documento interno da empresa.

Em meio a uma grave crise financeira,
[https://de.de.globo.com/economia/noticia/2025/07/12/correios-vao-a-justica-contra-receita-para-tentar-emitir-certidao-negativa-mesmo-com-divida-de-r-13-bilhao.ghtml],
a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Correios) formalizou o adiamento
no pagamento de diversas obrigações, que somam R$ 2,75 bilhões. A medida foi
tomada para tentar preservar a liquidez de reequilibrar o fluxo de caixa da
estatal, que acumula 11 trimestres seguidos de prejuízo.

Os atrasos já vinham sendo mencionados nas notas explicativas das demonstrações
financeiras da empresa, mas até então não se conhecia o valor total em aberto.

O de teve acesso a um documento interno dos Correios em que a gestão financeira
admite a decisão de postergar pagamentos “para preservar a liquidez de
reequilibrar a estrutura do fluxo de caixa”, após meses seguidos de déficit.

> “Com foco na continuidade das operações, essa iniciativa teve como objetivo
> central preservar a liquidez de reequilibrar, ainda que temporariamente, a
> estrutura do fluxo de caixa, mitigando os efeitos imediatos do desequilíbrio
> financeiro entre entradas e saídas”, afirma o texto.

Receita Federal apreende ecstasy em lata de leite em pó nos Correios no Rio
Janeiro [https://s02.video.glbimg.com/x240/13747921.jpg]

de apreende ecstasy em lata de leite em pó nos Correios no Rio de Janeiro

BOLETOS POSTERGADOS

Entre os pagamentos suspensos estão repasses ao plano de saúde Postal Saúde, ao
fundo de pensão Postalis, ao programa Remessa Conforme,
[https://de.de.globo.com/economia/noticia/2025/01/29/encomendas-internacionais-recuam-em-2024-mas-arrecadacao-sobe-para-r-28-bilhoes-com-imposto-maior-e-bate-recorde.ghtml]
além de dívidas tributárias e obrigações com fornecedores.

Veja a lista de valores adiados:

INSS Patronal – R$ 741 milhões

Fornecedores – R$ 652 milhões

Postal Saúde – R$ 363 milhões

Remessa Conforme – R$ 271 milhões

Vale-alimentação/refeição – R$ 238 milhões

PIS/Cofins – R$ 208 milhões

Postalis – R$ 138 milhões

Franqueadas – R$ 135 milhões

Segundo a própria estatal, 53% da dívida refere-se a valores cujo atraso gera
multa e juros, mas não interrompe diretamente as operações, como é o caso de
tributos e repasses aos planos dos empregados.

DOCUMENTOS DA RECEITA E DA JUSTIÇA

Carros e motos estão na sede dos Correios, em Brasília — Foto:
Correios/Divulgação

Um documento da Receita Federal, anexado ao processo de solicitação de certidão
negativa de débitos (CND), aponta que os Correios têm R$ 1,3 bilhão em tributos
não pagos.

Além disso, empresas prestadoras de serviços de transporte acionaram a Justiça
Federal para cobrar R$ 104 milhões em valores atrasados.

CAPTAÇÃO DE RECURSOS E EMPRÉSTIMOS

A empresa afirma que as medidas são provisórias e esperam a concretização de
ações estratégicas, entre elas a captação de R$ 1,8 bilhão em novos recursos. No
entanto, o documento não esclarece se os valores viriam de empréstimos bancários
ou aporte do Tesouro Nacional.

Em dezembro de 2024, os Correios contrataram dois empréstimos, nos valores de R$
250 milhões e R$ 300 milhões, junto aos bancos Daycoval e ABC, totalizando R$
550 milhões. Os contratos exigem a quitação integral ainda em 2025. As parcelas
começaram a vencer neste mês de julho e seguem até dezembro.

A estatal também aguarda a liberação de um empréstimo de R$ 4,3 bilhões junto ao
Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), vinculado ao Brics, presidido pela
ex-presidente Dilma Rousseff. Esses recursos, no entanto, têm destinação
específica: projetos de descarbonização e reestruturação logística — não podendo
ser usados para cobrir o déficit de caixa.

MOTIVOS PARA A DIFICULDADE FINANCEIRA

Em nota, os Correios disseram que entre 2024 e 2025 enfrentaram um cenário
adverso marcado por mudanças regulatórias que afetaram o comércio internacional
e reduziram o volume de postagens e a receita da empresa.

A empresa afirmou ainda que a concorrência se intensificou, especialmente após
alterações nas regras de importação, o que exigiu respostas rápidas diante da
queda de competitividade. Esse contexto gerou impactos significativos na geração
de receita e na capacidade financeira da estatal.

> “Todos esses fatores — o cenário adverso, as mudanças regulatórias, a perda de
> mercado e, especialmente, o histórico de subinvestimento — impactaram
> diretamente o resultado operacional e o caixa dos Correios. A estrutura de
> custos fixos, que representa cerca de 88% das despesas totais, agravou ainda
> mais a situação. Gastos com infraestrutura, manutenção de unidades, frota e
> pessoal permanecem elevados, mesmo com a queda na demanda, dificultando a
> flexibilização orçamentária e a busca por maior eficiência financeira”,
> informaram os Correios.

PREJUÍZO RECORDE

Em maio, os Correios divulgaram um prejuízo de R$ 1,7 bilhão no 1º trimestre de
2025 — o pior começo de ano desde 2017, quando a empresa passou a divulgar os
dados trimestrais.

O resultado representa um aumento de 115% em relação ao mesmo período de 2024,
quando o prejuízo foi de R$ 801 milhões. Dos 11 trimestres consecutivos no
vermelho, nove ocorreram sob a presidência de Fabiano Silva.

“A continuidade operacional dos Correios para o ano de 2025 está assegurada por
uma série de fatores estratégicos e estruturais que fortalecem a sua posição no
mercado e garantem a prestação de serviços essenciais à sociedade”, afirma o
relatório de resultados da empresa.

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