Porto de Santos faz retirada de navios em massa após ondas e ventos fecharem o
canal de navegação por mais de 16 horas
De acordo com a Praticagem, que auxilia as manobras das embarcações, a prioridade foi liberar berços ocupados e evitar cruzamentos de rotas para garantir a segurança dos navios e profissionais.
Porto faz retirada de navios em massa após ventos e ondas fecharem canal de navegação [https://s03.video.glbimg.com/x240/13801462.jpg]
O Porto de Santos registrou uma saída em massa de navios atracados nos berços assim que a navegação foi liberada às 9h30 desta quarta-feira (30), após mais de 16 horas de fechamento do canal do cais santista devido às condições climáticas adversas. Segundo a Defesa Civil e a Autoridade Portuária de Santos, rajadas de vento chegaram a 111 km/h e as ondas atingiram 3,98 metros.
A operação foi relatada por Carlos Alberto de Souza Filho, prático e diretor de Relações Institucionais da Praticagem de São Paulo. Ele explicou que, no momento da reabertura, havia mais embarcações prontas para sair do que para entrar no complexo portuário.
Por isso, segundo ele, a prioridade foi liberar os berços ocupados e evitar cruzamentos de rotas, o que poderia comprometer a segurança das manobras em pontos críticos do canal.
“Em alguns momentos, temos mais berços vagos do que navios prontos para sair, então priorizamos entradas. Agora, a situação se inverteu: Temos navios prontos para sair e precisamos liberar os berços. Por isso, estamos fazendo uma saída em massa de navios, em sequência, para evitar cruzamentos entre entrada e saída, que demandam mais tempo e restringem manobras em certos pontos”, disse Souza Filho.
Carlos Alberto destacou que o fechamento do canal visa garantir a segurança das embarcações e dos profissionais envolvidos nas operações. Segundo ele, tomar decisões sobre retomada e paralisação exige cautela, já que o fator determinante é o tempo.
“Assessoramos a autoridade marítima, que sabiamente suspendeu as operações. Chegamos a retomar as atividades quando houve sinal de melhora, mas, como o cenário voltou a piorar, foi preciso interromper novamente. Agora, se Deus quiser, a tendência é de normalização”.
SITUAÇÃO DIFÍCIL
Ontem, eu mesmo estava atracando um navio graneleiro vazio que iria carregar. Foi uma das situações mais difíceis que enfrentei. Pegamos vento forte de través, empurrando o navio em direção ao Guarujá. O mais complicado é que o vento não era constante: diminuía, depois voltava com força, o que impedia o uso de uma composição vetorial constante entre a máquina do navio e os rebocadores. Precisei lutar contra o vento o tempo todo. Felizmente, consegui utilizar toda a experiência e treinamento que adquiri ao longo dos anos. Mas são riscos que sempre buscamos evitar.


