Produtores de açúcar orgânico em SP temem ‘tarifaço’ dos EUA: ‘negociação é essencial’
A imposição de uma nova tarifa de 50% pelo governo dos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras está causando apreensão entre os produtores de açúcar orgânico da região de Ribeirão Preto. O mercado norte-americano, principal comprador do produto brasileiro, pode ter um impacto significativo na viabilidade de uma usina local que emprega mais de dois mil funcionários.
Uma usina com sede em Sertãozinho (SP) é responsável por comercializar seus produtos para 74 países, sendo que os Estados Unidos absorvem 60% de toda a produção. No ano passado, metade das 88 mil toneladas de açúcar orgânico produzidas pela empresa foram destinadas exclusivamente ao mercado americano.
Para Leontino Balbo, diretor da usina, a aplicação desta tarifa pode inviabilizar a continuidade da produção, destacando a necessidade de negociações para garantir a sustentabilidade das atividades, visto que a dependência do mercado americano é evidente. Outros produtores brasileiros também enfrentam a ameaça, chegando a destinar até 70% de sua produção para os EUA.
Caso a situação não seja revertida a médio e longo prazo, a usina poderá se ver obrigada a reduzir sua gama de produtos e, consequentemente, sua produção, gerando um impacto direto nos mais de dois mil empregos gerados. A principal saída seria buscar a redução da tarifa ou a exploração de novos mercados para o açúcar orgânico, embora o redirecionamento da carga seja uma tarefa complexa devido às exigências burocráticas e de qualidade.
Plínio Nastari, presidente da Datagro, alerta para o risco de perda de espaço no mercado brasileiro para concorrentes caso as tarifas permaneçam em vigor por muito tempo. O Brasil, pioneiro na produção de açúcar orgânico, poderá enfrentar dificuldades em competir com países como Colômbia, Argentina e Paraguai devido à elevação do preço do produto.
Os Estados Unidos consomem cerca de metade de todo o açúcar orgânico produzido globalmente, sendo o Brasil o principal fornecedor, com quase 118 mil toneladas enviadas em 2024. A produção diferenciada, sem agrotóxicos e aditivos químicos, torna o açúcar orgânico mais nutritivo, porém mais caro de ser produzido.
As usinas de açúcar orgânico enfrentam o desafio de se manterem competitivas diante da nova realidade imposta pela tarifa americana. A expectativa é de que haja uma prorrogação da entrada em vigor da taxa para permitir uma adaptação adequada entre exportadores brasileiros e importadores dos EUA.
A busca por soluções e a pressão por negociações representam a esperança dos produtores de açúcar orgânico em SP de proteger sua produção e preservar os empregos gerados na região de Ribeirão Preto. É essencial encontrar alternativas viáveis para enfrentar os desafios impostos pelo ‘tarifaço’ e garantir a continuidade da indústria brasileira de açúcar orgânico.


